08/08/2022 às 16h15min - Atualizada em 08/08/2022 às 16h15min

Advogado é preso suspeito de integrar organização criminosa no RN

Prisão aconteceu na Penitenciária de Alcaçuz; operação do MPRN foi realizada em conjunto com PM e Secretaria de Administração Penitenciária

Print mostra troca de mensagens de advogado suspeito de integrar organização criminosa (Print/Divulgação MPRN)
Um advogado foi preso nesta segunda-feira (8), no Complexo Penitenciário de Alcaçuz. Ele é suspeito de integrar organização criminosa que atua dentro e fora de unidades prisionais. A prisão é resultado da Operação Carteiras 2, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). A ação contou com a participação da Polícia Militar e da Secretaria da Administração Penitenciária e cumpriu, ainda, outros quatro mandados de prisão contra detentos.
 
A investigação do MPRN já apurou que o advogado trocou “catatus” (mensagens), por diversas vezes com detentos, estabelecendo a comunicação entre os internos integrantes da organização criminosa que ainda estão nas ruas e as lideranças encarceradas.
 
O MPRN já ofereceu denúncia contra o advogado preso nesta segunda-feira e ele já é réu em ação penal. Na denúncia, o MPRN mostra que, no dia 6 de outubro de 2021, o advogado entrou na penitenciária de Alcaçuz portando um print de conversa do aplicativo WhatsApp sobre venda de objeto ilícito.
 
Já no dia 27 de novembro passado, durante atendimento a internos da mesma unidade prisional, deixou cair um papel no parlatório. Esse “catatau” tratava de comunicação dos presos com integrantes da organização criminosa.
 
Para o MPRN, o advogado preso se aproveitava de suas funções para driblar a fiscalização penitenciária, usando criminalmente suas prerrogativas.
 
Ao pedir a prisão do advogado, o MPRN reforçou que ele atua como “mensageiro do crime”, o que diuturnamente coloca em risco a ordem pública pela repetição dos atos. Na denúncia, o MPRN frisa que o advogado preso “não é mensageiro de simples faccionados, e sim de algumas lideranças mais importantes da organização criminosa.
 
Ainda de acordo com o MPRN, atua diretamente na gestão e manutenção da facção criminosa, que continua em plena atividade até os dias atuais. Aliás, as mensagens repassadas não são simples mensagens fraternas, mas sim, missivas do crime, relacionadas a missões e logística do comércio ilícito de entorpecentes. O fato, segundo o MPRN, implica que a atuação do advogado é fundamental para a organização e manutenção do tráfico de drogas e que, através dele, criminosos condenados, dentro de estabelecimento penais, continuam a praticar crimes, mesmo sob o pálio da custódia estatal.
 
Operação Carteiras
 
No dia 8 de julho passado, o MPRN deflagrou a operação Carteiras, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e outros quatro, de busca e apreensão, nas cidades de Natal, Parnamirim, Extremoz, Nísia Floresta. Os mandados foram cumpridos nas residências de advogados, em um escritório de advocacia e ainda nas penitenciárias estaduais de Alcaçuz e Rogério Coutinho Madruga. Ao todo, três advogados foram presos na ação.



Com informações do Minstério Público de Rio Grande do Norte - MPRN

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